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Um brinde às mulheres!

POR MARI RODRIGUES – SOMMELIÈRE DE CERVEJA

Foi fundamental a participação feminina na trajetória da cerveja até ela se tornar a bebida mais consumida do mundo. Por milênios, as mulheres foram as responsáveis pelo feitio cervejeiro, que nos primórdios funcionava assim: o homem saía pra caçar enquanto a mulher cuidava dos filhos e preparava as refeições. Logo, a bebida (que era considerada nutritiva, não só recreativa) era servida junto com a comida dessas famílias através das mãos das matriarcas.

Povos como os Sumérios (4000 a.C) consideravam as cervejeiras como seres especiais por seu “poder” de transformar água e cereais em cerveja. A deusa romana da colheita, Ceres, também era considerada deusa da cerveja e, inclusive, um desdobramento do seu nome serviu para batizar a bebida em vários lugares.

Trilhando o histórico da bebida fermentada de cereal, passamos pelos impérios egípcio e inca, pelos vikings e pelas tabernas da Europa medieval. Encontramos por esses caminhos, muitas histórias sobre mulheres fundamentais no desenvolvimento e perpetuação da nossa amada cerveja. No século XII, por exemplo, a monja alemã Hildegard von Bingen foi a primeira pessoa a estudar o uso de lúpulo em cerveja devido, a princípio, às suas propriedades conservantes. Atualmente ela é considerada santa pela Igreja Católica (dê graças no próximo gole amargo!).

O domínio delas sobre a produção só cessou no século XVIII, quando a cervejaria passou a ser um negócio de empresas de produção em grande escala. De lá pra cá, houve uma inversão de valores simbólicos em torno da cerveja: as mulheres deixaram de ser protagonistas e passaram a ser objetivadas em propagandas de cervejarias afim de atingir mais e mais homens para seu público. Isso explica muito sobre a visão machista que as gerações atuais têm sobre a relação mulher x cerveja.

Mais recentemente (já nos anos 2000), uma boa parcela das empresas do ramo começaram a mudar sua postura. Não usam mais a imagem feminina em publicidade e as cervejarias estão cheias de profissionais voltando ao lugar que lhes pertence: são mestres-cervejeiras, donas de bares e cervejarias, sommelières e especialistas em vários segmentos do meio cervejeiro que, além de tudo, incentivam outras mulheres a se aventurar nesse mercado também como consumidoras!

Hoje em dia ainda se vê em prateleiras de mercado cerveja com rótulo escrito “Mulher”, o que é, no mínimo, retrógrado e insolente. Como digo aos meus clientes: PALADAR NÃO TEM SEXO! Então, reocupemos nossas cadeiras no bar, e saúde!

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