POLÍTICA
Sindicatos de Ubatuba não aderem a greve nacional

Ubatuba quase não sentiu os efeitos da Greve que acontece em diversas cidades do país nessa sexta-feira (28), contra as reformas que tramitam em Brasília e mexem nos direitos trabalhistas e na aposentadoria. Houve apenas alguma adesão, ainda assim parcial, de categorias ligadas a sindicatos mais fortes, de nível nacional ou estadual, como foi o caso de bancários e professores da rede estadual.

Situação

Trabalhadores do comércio e do setor hoteleiro, cuja sede dos seus sindicatos ficam respectivamente em Taubaté e Aparecida, trabalharam normalmente.

O sindicato com maior numero de filiados da cidade, o Sindtapu, que representa os servidores públicos municipais de Ubatuba, decidiu não mobilizar a categoria. Sem que o sindicato protocole oficialmente a deflagração da greve, o trabalhador não pode gozar de seu direito de greve garantido por lei e o empregador fica autorizado a cortar o ponto sem nem mesmo negociar reposição.

A presidente da entidade, Sandra Silva, que viajou a São Paulo, segundo ela para participar de manifestação, declarou ao InforMar que não protocolou greve pois “aqui eles (os trabalhadores) não são politizados para entender o que é uma greve”. Sandra admite que não convocou assembleia nem passou nos locais de trabalho para explicar aos seus representados sobre o teor das reformas trabalhistas e da Previdência.

Mesmo sem suporte do Sindtapu, diversos professores da Escola Municipal Presidente Tancredo Neves aderiram às manifestações e não compareceram ao trabalho de acordo com um docente que pediu para ter a identidade preservada.

Ela, no entanto, garante que se algum funcionário público municipal não tiver ido trabalhar nessa sexta-feira por ter aderido ao movimento nacional, poderá contar com suporte jurídico do Sindicato. “Ninguém vai ser mandado embora por que participou de greve”, garante.

Já Diego Felipe, encarregado da subsede do Sindicato dos Empregados no Comércio de Taubaté, que legalmente representa boa parte dos trabalhadores de lojas e supermercados de Ubatuba, tem um discurso diferente. Segundo ele os funcionários que faltaram ao trabalho serão advertidos e em caso de acumular três advertências o funcionário será demitido.

Litoral Norte

Nas outras cidades do Litoral Norte o dia começou com movimentações, paralisações e protestos. Houve atraso na balsa de Ilha Bela, que mais tarde voltou a operar normalmente. Houve paralisação do Porto de São Sebastião. Os petroleiros também suspenderam as operações do Tebar (Terminal Marítimo Almirante Barroso) e do Terminal de Tratamento de Gás Monteiro Lobato.

De acordo com Rodolfo Martins, membro do Sindicato dos Portuários e do Comitê do Litoral Norte contra as Reformas da Previdência e Trabalhista, houve paralisação de mais de sete sindicatos da região, todas essas entidades teriam realizado previamente assembleias abertas nas quais os próprios operários decidiram pela greve.

Rodolfo criticou a postura pelega da diretoria do Sindtapu que pressupôs a incapacidade dos trabalhadores de fazerem uma greve. “No meu entendimento era dever da diretoria do sindicato ter chamado a assembleia. Os trabalhadores é que devem decidir, sempre”, afirma Martins.

As Reformas

Entre os pontos mais criticados da reforma trabalhista, está o aumento da jornada diária de trabalho para até 12 horas. O tempo para almoço deve cair de uma hora para 30 minutos. A reforma passa a permitir o trabalho de mulheres grávidas em ambientes considerados insalubres. Com relação à rescisão contratual que antes precisava ser feita em sindicatos, poderá ser feita na própria empresa sem a necessidade de um representante sindical. Um ponto que divide opiniões é o fim do imposto sindical.

Com relação à reforma da previdência, causa preocupação o aumento da idade mínima para as mulheres, que deveriam trabalhar, no mínimo, até os 65 anos, como os homens. Além disso, para se aposentar com o valor integral seria necessário que o trabalhador contribuísse no mínimo por 49 anos.

Para se aposentar integralmente aos 65 anos, homens e mulheres teriam de começar a trabalhar e contribuir com o INSS aos 16 anos e não ficar nenhum mês sem contribuir. Se a Reforma da Previdência for aprovada, acabará com a aposentadoria especial de trabalhadores rurais e pescadores.