QUANDO AS MÁQUINAS PARAM
Montagem histórica de peça de Plínio Marcos faz apresentação única no Teatro de Ubatuba

*Foto no topo da página: Mario Gustavo Coelho

“Montagem faz de obra esquecida de Plínio Marcos, um clássico.”
(Folha de São Paulo – Crítica de Luis Fernando Ramos em 2011)

Montagem histórica da peça faz apresentação única no Teatro Municipal de Ubatuba no sábado, 23/09, 20h. Em 2017, Quando As Máquinas Param faz 50 anos e em seu jubileu, nunca esteve tão atual. Esta ousada montagem da obra clássica de Plínio Marcos foi um sucesso nas 3 primeiras temporadas na cidade de São Paulo entre 2011 e 2013, marcando o desjejum de Léo Lama, que não dirigia uma peça escrita pelo pai há 21 anos.

A proposta apresentada por Léo e usada nesta montagem é “O Ator em Repouso”, criada pelo próprio: “um representante do ser humano em cena, parado, sem gestos, sem qualquer tipo de movimento externo, um manifesto contra o massacre que o corpo humano vem sofrendo ao longo dos séculos, desde as imagens de sua pretensa pré-história que o assemelha a um macaco, passando por Auschwitz, até os dias de hoje onde corpos são comparados a produtos de consumo”. A pesquisa teatral “O Ator em Repouso” procura oferecer ao espectador uma imagem do vazio. Um descanso do excesso.

Quando as Máquinas Param atualiza o original, dando-lhe o contorno de um clássico. A peça teve duas versões. A primeira, “Enquanto os Navios Atracam”, foi escrita e encenada em 1963, no Teatro de Arena. Em 1967, já com o nome definitivo e um personagem a menos, estreou em uma sala do Teatro Brasileiro de Comédia. Já foi encenada por nomes consagrados como Tony Ramos, Luis Gustavo, Valderes de Barros e Edu Silva.

Os cenários políticos nacionais de quando a peça foi escrita e atuais trazem diversos paralelos interessantes e torna a peça assustadoramente atual: recessão econômica, aumento dos índices de desemprego, crises e ataques institucionais e falta de garantias aos trabalhadores. Esse é o pano de fundo para a história desse casal tão humano. A violência doméstica resultante deste processo também encontra paralelos históricos.

Plínio Marcos (1935-1999) foi ator, diretor, escritor marginal, um dos principais dramaturgos na época da ditadura militar. Autor de inúmeras peças teatrais, entre outros escritos, não mediu palavras quando disse em certa entrevista que: “Se o Brasil continuar nesse rumo, meus textos virarão clássicos”. Sempre engajado em contextualizar a situação do país em sua dramaturgia, nunca mediu esforços para traduzir as falas e os conflitos do povo brasileiro.

A interpretação de Kelly Di Bertolli e Rodrigo Caldeira “é realizada com talento, mostrando no texto o que nele havia de imorredouro…” (Luis Fernando Ramos – Folha de SP 2011) e leva o público a imaginar as personagens e os cenários em suas mentes. Muitos, até mesmo pessoas que nunca haviam ido a um teatro, comparam a experiência a de se estar lendo um livro. Kelly e Rodrigo conseguem atingir a humanidade que existe nas personagens de Plinio Marcos, fazendo com que cada espectador também se reconheça naquela situação.

Foto: Lenise Pinheiro

HISTÓRICO

Esta montagem de Quando As Máquinas Param, de Plínio Marcos, é fruto da iniciativa dos atores Kelly di Bertolli (que iniciou sua carreira no grupo de Plinio Marcos) e Rodrigo Caldeira. Ambos tem grande experiência em teatro na cidade de São Paulo e formam o elenco desta montagem desde o seu início até o presente momento.

Leo Lama foi convidado para dirigir a peça. Dramaturgo, diretor teatral de grande reconhecimento e filho de Plinio Marcos não dirigia uma peça do pai fazia 21 anos e aceitou o convite propondo uma montagem ousada na estética e na simplicidade ao usar a técnica do “Ator em Repouso”, quebrando com a estética realista que a obra sugere.

Logo em sua primeira temporada em 2011 no Teatro Zanoni Ferrite, através de edital de ocupação dos teatros municipais de São Paulo, a proposta de encenação, em conjunto com a verdade cênica demonstrada pelos atores gerou grande resposta do público, além de matéria de página inteira no jornal Brasil de Fato e excelente crítica de Luis Fernando Ramos na Folha de São Paulo com título “Montagem faz de obra esquecida de Plinio Marcos um clássico”, e cobertura fotográfica de Lenise Pinheiro (fotos desta montagem são parte de seu novo livro de fotografias de teatro lançado em 2016).

A peça retornou para 2 temporadas no segundo semestre de 2013 no Teatro da Memória no Instituto Capobianco (através do PROAC ICMS), o que gerou a indicação de Leo Lama para Melhor Diretor no Prêmio CPT 2013 (Cooperativa Paulista de Teatro).

SINOPSE

Quando as Máquinas Param traduz as angustias de Nina e Zé em um casamento fragilizado pela recessão e o desemprego. Em meio a ondas de demissões e a falta de perspectiva devido à baixa qualificação, a única distração de Zé é jogar bola com os meninos na rua. Nina torna-se a provedora da casa costurando roupas e recebendo ajuda de sua mãe, algo inaceitável para Zé, orgulhoso. A situação se agrava com a gravidez inesperada, quando Zé teme não poder sustentar seu grande sonho de ter um filho: o aborto surge como opção… Mas Nina quer ter o filho.

SERVIÇO

23/09 – Sábado – 20h
Apresentação Única em Ubatuba
Teatro Municipal de Ubatuba – Praça Exaltação a Santa Cruz, 22
Tel: 12 3833-1191
Capacidade: 446 lugares
Entrada: R$ 30,00 (inteira) R$ 15,00 (meia)
* artistas de Ubatuba cadastrados no Mapa Cultural da cidade também pagam meia
Pontos de Venda: Teatro Municipal de Ubatuba e Livraria Nobel
Classificação Indicativa 10 anos
www.fb.com/quandoasmaquinasparam

Ficha Técnica

Texto- Plinio Marcos
Direção- Leo Lama
Elenco- Kelly di Bertolli e Rodrigo Caldeira
Produção- Rodrigo Caldeira
Assistente de Produção- Venicio Toledo
Operador de Luz e Som- André Perussi
Trilha Sonora- Leo Lama e Ronaldo Pelicano
Músicas- Leo Lama
Arte e Design Gráfico- Ananda Barreto
Assessoria de Imprensa- Vanessa Cancian

SOBRE O DIRETOR E OS ATORES DA PEÇA

Léo Lama
Músico, poeta, dramaturgo, diretor, escritor e roteirista.
Estreou como autor de teatro aos 21 anos, com a peça “Dores de Amores”, com Malu Mader e Taumaturgo Ferreira, que ficou quatro anos em cartaz e foi montada em outros países. Virou filme em 2012 com Milhém Cortaz e Fabíula Nascimento. Pela Companhia Solitária, criada por ele, montou os textos “Videoclip Blues”; “Prisioneiro de uma Canção” (parceria com seu pai Plínio Marcos); “O Perdido Coração do Cristo”; “Baudelaire – O Pai do Rock” entre outros. Teve seu texto “Perdidos na Praia” dirigido por Fauzi Arap; Dirigiu alguns programas na TV Record, entre eles “Domínio Público” com Otaviano Costa.

Kelly di Bertolli
Atriz formada em Artes Cênicas pela Universidade de São Paulo, interpretação pelo Strasberg Institute – Actors Studio em Nova York, View Points e Suzuki no SITI Company dirigida por Anne Bogart em New York. Estudou voz com Monica Montenegro e Madalena Bernardes, contato improvisação com Diogo Granato, clown com Phillip Gaulier, Biomecânica, Neusa Tomasi e Philip Brehse, teatro fisico com Robert Macrea, corpo e interpretacão com François Kahn, teatro do oprimido com Augusto Boal, interpretação para cinema com Fátima Toledo entre outros. Possui experiência internacional oferencendo cursos e fazendo projetos com Artistic Associates Program e na Action Lab Grant, Nova York, na Inglaterra (Leeds University, Duhran University e Manchester University), País de Gales (University of South Wales) e Escócia (Dundee University). Ganhou prêmio de residência artística no Bronx/ NY para dirigir a peça “Jakeline and the beans stock”.  Trabalhou em dezenas de espetáculos como atriz, começando a carreira de atriz sob a direção e texto de Plínio Marcos no espetáculo “A vocação”, “Mysteries and small pieces” direção de Judith Maline no Living Theatre, “A exceção e a regra” de Brecht e “Valsa n 6” de Nelson Rodrigues sob a direção de Sergio Audi, “Travessuras de Palhaço” sob a direção e com Roge Avanzi (Picolino) entre outros. Trabalhou em cinema nos longas “Garotas do ABC” e “Bens Confiscados” de Reichenbach entre outros e foi assistente de direção de atores de Fátima Toledo em seu estúdio e no filme “Tainá 2”. Televisão participou da série Turma do Gueto. E é atriz no espetáculo “Quando as Máquinas Param”, de Plínio Marcos, direção de Leo Lama. É diretora artística do Coletivo Garoa.

Rodrigo Caldeira
Ator com mais de 30 obras realizadas em São Paulo e internacionalmente. Destaque para The Package (2015, Frankfurt/Ale, Antagon Theater Aktion, direção: Shusaku Takeushi), Quando As Máquinas Param (2011/-, de Plinio Marcos com direção de Leo Lama), Mauísmo (2010 com o Teatro da Vertigem), Felizes para Sempre (2010, de Mario Bortolotto), Amor Negado (2009, personagem de Jasão em adaptação de Medeia com direção de Moisés Miastkwoski), participação nas filmagens para a Ópera dos Vivos da Companhia do Latão entre outros. Foi fundador dos grupos Hangar de Elefantes [destaque com a obra site specific Terra À Vista (2011-2013)] e Coletivo Garoa (antigo Grupo de Teatro do Oprimido da Garoa) [destaque no projeto Torquemada (2010-2012) a partir de obra de Augusto Boal, com participação na Bienal de Arte de São Paulo em 2010]. Atuou em 10 curta metragens, sendo 3 em São Paulo e 7 na Inglaterra. É arte-educador e Curinga de Teatro do Oprimido com larga experiência em trabalhos com jovens e populações vulneráveis, no Brasil e na Inglaterra. Desenvolveu oficina própria de treinamento de atores a partir dos métodos que já estudou. Também é poeta e dramaturgo. Fez cursos com grandes nomes como Eugenio Barba e atores do Odin Teatret no Brasil e na Dinamarca, no Workcenter of Jerzy Grotowski and Thomas Richards em Pontedera/Itália e residências no Teatro da Vertigem, no Theatre du Soleil em Paris, com Min Jung Park no Casarão do Belvedere em São Paulo e com Ihab Zahdeh na MIT-SP 2017.