'FEPET'
Festival itinerante levou espetáculos gratuitos para sete bairros de Ubatuba

Um grupo de mais de quarenta artistas de Ubatuba realizou de 5 a 14 de outubro, o II Festival de Pequenos Espaços Teatrais (Fepet), evento itinerante que contemplou sete bairros com doze peças teatrais de entrada franca. O festival passou pelos bairros da periferia de Ubatuba e também pela região central, atingindo um público de cerca de mil pessoas.

A intenção foi novamente levar a experiência teatral a pequenos espaços espalhados pela cidade. Em 10 dias de Fepet o teatro foi para bairros e locais onde a população quase não tem acesso a espetáculos.

Alguns dos espaços parceiros foram ONG’s ou Associações, como o Projeto Namaskar no bairro da Sesmaria, o projeto Gaiato no maior bairro da cidade – o Ipiranguinha, Convívio das Artes no Perequê Açú, Espaço Consciência no Itaguá, Ubatuba em Foco no Perequê-Mirim, a Escola Municipal Simeão no Taquaral, além de dois espetáculos pensados para o Dia Das Crianças no Sobradão do Porto, com o circo na praça e contação de histórias no teatro do antigo casarão.

Claudia Oliveira com a produção do FePet e o público no Sobradão do Porto. (Foto: Cristina Prochaska)

No dia 9 de outubro aconteceu uma mesa redonda sobre “ Teatro Independente e Poder Público “ no Sobradão do Porto, onde também foi lida a “ Carta de Caraguá”, um documento fruto do Fórum de Cultura do Litoral Norte, que está acontecendo nas cidades de Ilhabela, São Sebastião, Caraguatatuba e Ubatuba, e que une as quatro cidades para o desenvolvimento de ideias para o fortalecimento da cultura da região. (Leia Carta na íntegra no final da matéria)

Participaram deste debate produtores, atores e gestores da cultura. O debate  recebeu como convidados o ator e diretor Augusto Marin, do Coletivo Teatral Commune de São Paulo, e o ator e diretor do Circo Navegador de São Sebastião, Luciano Draetta.

O idealizador do projeto é o diretor, ator e produtor Vittorio Colacchio da Officina ArtAud, que contou com a ajuda de cinco produtores em quatro meses de pré-produção e teve como patrocinadores empresas de Ubatuba e o apoio institucional da Fundação de Arte e Cultura de Ubatuba (Fundart).

Espetáculo – ” A Maçã- Podem as máquinas pensar?”. (Foto: Cristina Prochaska)

Segundo o idealizador este tipo de ação cumpre um papel social essencial, pois através de atividades como esta, crianças e adultos em situação de vulnerabilidade ou por distância da região central, não tem oportunidades de contato com as artes cênicas. “Já estamos nos preparando para o terceiro Festival com mais apresentações e mais bairros envolvidos. A experiência foi muito gratificante. O teatro é bálsamo para as pessoas que carecem de cultura e forma a identidade de um Povo”, finalizou Colacchio.

 

“Carta de Caraguá

Nós agentes culturais, artistas, produtores, fazedores, gestores, coletivos e organizações culturais do Litoral Norte, em mais de 100 representantes reunidos entre os dias 15 e 17 de setembro de 2017, no Chalé Porto Novo em Caraguatatuba, com apoio e participação da Fundacc – Caraguatuba, Fundart – Ubatuba, Fundass – São Sebastião, Fundaci e Secretaria de Cultura de Ilhabela, além de participantes dos Conselhos Municipais de Cultura das quatro cidades, constituímos o Fórum Permanente de Cultura do Litoral Norte.

O Fórum tem como objetivo integrar e articular as ações entre a sociedade civil e o setor público desses municípios do Litoral Norte para fortalecer o avanço e a consolidação de politicas públicas de Estado que garantam o acesso universal à criação, fruição, produção, defesa da diversidade, do patrimônio material e imaterial e potencialização da economia da Cultura.

O Fórum encaminha as seguintes proposições:

 Revisão da legislação que rege as Politicas Públicas de Cultura nos municípios;
 Implementação de ações integradas entre Fundações Culturais, Conselhos Municipais de Cultura, setor público e suas secretarias;
 Implementação imediata dos Planos e Fundos Municipais de Cultura;
 Construção das politicas municipais “Cultura Viva” de acordo com a lei federal 13.018/14;
 Acatar as deliberações dos Conselhos Municipais de Cultura, assegurados por leis e regimentos;
 Garantir o uso democrático dos equipamentos municipais para a comunidade cultural, a partir de critérios transparentes;
 Criação de politicas de formação artística e cultural descentralizadas e diversificadas, construídas junto à sociedade civil, com diferentes níveis de aprofundamentos;
 Revisar as formas de contratação dos profissionais da formação cultural:
 Assegurar a construção de políticas públicas que garantam as expressões culturais em todas as suas dimensões e distribuída capilarmente por todos territórios;
 Valorizar as matrizes culturais brasileiras, afirmar a sua identidade e ancestralidade;
 Assegurar o papel da cultura como ferramenta de garantia dos direitos humanos e da cidadania cultural;
 Priorizar a implementação de ações culturais permanentes de artistas e grupos que atuam áreas de vulnerabilidade com projetos de transformação social;
 Implementação do sistema de informações e indicadores culturais em conformidade com o Sistema Nacional de Cultura (SNC).

De acordo com o resultado da atividade “Encontro com os gestores”, realizada no fórum, ficou pactuado que serão realizados encontros mensais entre gestores e representantes do fórum. Nessas oportunidades serão monitoradas as ações práticas capazes de atender as pautas propostas nessa carta. Confiamos que a implementação dessas ações sejam capazes de florescer a potência dos indivíduos, dos coletivos e do pleno desenvolvimento cultural e artístico da região. 

Fórum Permanente de Cultura do Litoral Norte”