COLUNA OUTROS DESTINOS - SUSSUMO
Haarlem, a 20 km de Amsterdã, guarda uma história de resistência ao nazismo

Localizada às margens do rio Spaarne, apesar de pouco conhecida, Haarlem já foi uma das mais poderosas províncias dos Países Baixos e é conhecida como a “cidade das flores” por ter sido durante séculos um centro de produção e comércio de tulipas.

Haarlem fica a aproximadamente 20 kms de Amsterdã, as cidades são interligadas por trens que partem a cada meia hora e o trajeto demora apenas 16 minutos, o preço da passagem é de 6 Euros (Dezembro de 2016).

Além de toda a beleza de seus monumentos e passeios agradáveis, que já valeriam a visita, a cidade foi palco de uma da mais emocionantes e comoventes histórias da resistência holandesa em que a vida de muitos judeus puderam ser salvos.

Cornelia Johanna Arnolda ten Boom, ou simplesmente Corrie ten Boom como ficou conhecida, nascida em Amsterdã, poucos meses após seu nascimento mudou-se para Haarlem onde tornou-se a primeira mulher relojoeira da Holanda, porém foi reconhecida e homenageada especialmente pela colônia judaica, por seu ato de resistência quando da invasão dos nazistas à Holanda, escondendo refugiados e salvando muitos judeus da morte.

A casa que hoje abriga o museu Ten Boom conhecido como “O refúgio secreto”, título do livro onde Corrie descreveu sua autobiografia e que foi adaptado para o cinema, pode ser visitado de terça a sábado em visitas guiadas que duram aproximadamente uma hora, com entrada gratuita e contribuição voluntária.

Pela fé cristã e o reconhecimento da importância das escrituras para o povo judeu, os Ten Boom apesar da escassez de comida, se preocupavam em providenciar comida kosher e respeitar o Sabá. Uma lição de solidariedade e amor ao próximo.

As visitas às demais atrações de Haarlem são facilmente acessíveis pois concentram-se nas proximidades da praça principal, a Grote Markt, ou a curta distância em agradáveis caminhadas.

Catedral de Saint Bavo

A principal igreja da cidade, a Catedral de Saint Bavo, foi construída pelos católicos entre 1895 a 1930 em substituição a antiga catedral (Saint Joseph), que teria sido confiscada e convertida para o protestantismo durante a Reforma protestante entre 1578 e 1853 e que após sua retomada, mostrou-se demasiada pequena mesmo após suas ampliações, pois Haarlem se tornara uma poderosa cidade dos países baixos.

Museu arqueológico de Haarlem

Este interessante museu inaugurado em 1991 expõe objetos utilizados pelos antigos moradores de Haarlem, descobertos durante escavações arqueológicas. Mantido por um grupo de voluntários o museu abre de quarta a domingo das 13h00 as 17h00 com entrada gratuita. Aproveite para visitar no andar de cima o Museu de Hallen Haarlem.

Teyler’s Museum

Primeiro e mais antigo museu da Holanda, o Teyler’s Museum, cujo nome é uma homenagem ao seu maior benfeitor, Pieter Teyler van der Hulst.

Este rico banqueiro e fabricante de seda de Haarlem, tinha grande interesse pela arte e pela ciência.

Viveu na Era do Iluminismo, um movimento intelectual que surgiu no século XVIII na Europa, defendia o uso da razão (luz) contra o antigo regime (trevas), pregava a liberdade econômica e política, promoveu mudanças políticas, econômicas e sociais, baseadas nos ideais de liberdade, igualdade e fraternidade.

Tais ideiais foram a base na composição das coleções do Teyler’s Museum que expõe objetos de arte, história e ciência, como por exemplo, uma interessante coleção com fotos e gravuras de antigos instrumentos científicos em uso, alem de preciosas obras de arte, historia da arquitetura, da ciência e ficção cientifica, é o único museu do mundo com um edifício e interior autênticos do século XVIII.

Não deixe de visitar a Sala Oval neoclássica aberta aos visitantes em 1784, e que permanece praticamente inalterada.

Museu Moinho de Adriaan

Este moinho localizado às margens do rio Spaarne foi construído originalmente em 1779 e foi utilizado em diversas funções, inclusive na produção de tabaco.

Em 1932 um incêndio atingiu suas instalações e sua reconstrução sòmente foi possível a partir de 1999 e concluído em 2002, graças a alguns patrocinadores e a contribuição de comerciantes e moradores de Haarlem.

Em 2003 o museu no moinho foi aberto ao público, porém não funciona todos os dias, portanto é importante informar-se antes de visitá-lo. Mesmo que esteja fechado, vale a pena ir até lá, já que o moinho e seu entorno formam cenários ideais para lindas fotos, e a simples caminhada ao lado do rio Spaarne já compensa o passeio.

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ROBERTO SUSSUMO É FÍSICO POR FORMAÇÃO, ADMINISTRADOR POR PROFISSÃO, CICLISTA, FOTÓGRAFO E VIAJANTE POR PAIXÃO. GOSTA DE VIAJAR POR SUA CONTA, PLANEJAR, LER, PESQUISAR, VISITAR A HISTÓRIA, VER O MUNDO COMO É E COMPARAR COM O QUE IMAGINA SER.